Friday, December 14, 2007


A bandeira nacional mudou?

Uma das razões pelas quais a constituição europeia não passou foi porque se propunha criar símbolos da União Europeia, diminuindo a importância dos símbolos nacionais.

Como os símbolos são importantes os holandeses e os franceses votaram e, com medo de danos maiores, iniciou-se o processo do “Tratado Reformador” que vamos ver onde termina, pode até terminar com uma nova rejeição…Dependerá de decisões democráticas ,em democracias que se prezam.

Entretanto em Portugal e em Lisboa, a grande bandeira nacional que desde Setembro de 2005 estava hasteada no alto do Parque Eduardo VII foi substituída por uma bandeira da Europa.

A bandeira é a maior que existe em Portugal e está hasteada num dos pontos mais altos de Lisboa, o que é desde logo ilegal porque contraria o nº 3 do Artº 8º do Decreto-Lei n.º 150/87, de 30 de Março que diz : “A Bandeira Nacional, quando desfraldada com outras bandeiras, não poderá ter dimensões inferiores às destas”.

A bandeira da Europa substituir a nossa bandeira é um abuso de poder: nós não votamos isto!

Pelo contrário, é do perfeito conhecimento do Presidente da Câmara de Lisboa e do Governo que a questão dos símbolos nacionais é muito sensível também em Portugal.

Se a ideia é a bandeira azul lá ficar, o Presidente da República deve acabar já com isto.
Se a ideia é estar ali temporariamente, o melhor é que acabe já e que seja explicado aos cidadãos quem autorizou esta afronta ilegal.

Friday, November 30, 2007


Excelentíssimo Senhor Presidente da Agência

Cumprindo o meu dever cívico de denuncia da ilegalidade e de alerta às autoridades competentes das, infelizmente frequentes situações irregulares, venho chamar a atenção da AZAR para um verdadeiro escândalo que se passa por todo o país e a que urge por cobro.

Trata-se do consumo de produtos de panificação e de vinho e seus derivados, sem condições higio – sanitárias adequadas, em estabelecimentos não autorizados e vendidos através de publicidade enganosa. A lista dos locais de consumo não autorizado é muito extensa, ocorrendo as irregularidades várias vezes por dia. Os produtos são armazenados em condições muito deficientes, sempre manuseados sem luvas, por vezes até na presença de cadáveres !!!

Acresce que a publicidade é enganosa sendo os produtos de panificação vendidos como carne (de proveniência desconhecida) e o vinho descrito e distribuído como sangue (????), atribuindo-se ao consumo estranhas propriedades de limpeza. Trata-se claramente de uma situação irregular, que merece uma intervenção firme, a exemplo das bem sucedidas operações sobre as bolas de Berlim nas praias, das castanhas no Outono e das ginjinhas no Rossio.

Os consumidores consomem em grupo e estão claramente conluiados com os distribuidores ilegais neste grave atentado à segurança alimentar.

Queira Senhor Presidente vestir o colete à prova de bala e o gorro à prova de vergonha e por cobro a este desmando.

Junto segue prova documental do desmando.

Tuesday, November 13, 2007





A espada que fez um halo no céu

Foi D. Duarte quem primeiro fez lobby pela canonização de D. Nuno Álvares Pereira, em 1437, já lá vão 570 anos.
Desde a sua morte, no seu convento do Carmo em 1 de Novembro de 1431, foram atribuídos ao Condestável centenas de milagres, a terra do seu túmulo era retirada para operar “obras milagrosas”. Até ao terramoto, que em 1 de Novembro de 1755 destruiu o convento, o povo fazia romarias que tinham cantigas e tradições próprias de cada um dos lugares de origem, tendo até algumas dessas cantigas chegado aos nossos dias. Existem até vários “Catálogos dos Milagres” de Frei Nuno de Santa Maria.
No início de 1918, em plena Grande Guerra, com os soldados Portugueses a morrer aos milhares em França, o Papa Bento XV beatificou Nun’Álvares, o mais brilhante e invencível chefe militar de Portugal, tinham então passado 487 anos sobre a sua morte.
Próximo de 6 de Novembro de 2007, dia em que a Igreja comemora o Beato Nuno de Santa Maria, os bispos Portugueses encontraram-se com o Papa Bento XVI, que lhes disse como vai mal a Igreja do povo que se fez ao mar com a cruz de Cristo nas velas e que levou a Igreja onde ela nunca tinha chegado. Soube-se nessa altura que o Condestável vai ser canonizado.
Entre 1431 e os nossos dias muitos mártires Portugueses morreram pela sua fé, muitas palavras santas foram ditas em Português, milhões de almas foram convertidas, com orações ciciadas por vozes Beirãs ou com gerúndios evangélicos do Alentejo profundo. Três pastores da Serra d’ Aire falaram com a própria Mãe de Jesus. Mas o Papa Alemão vai canonizar o Condestável.
D. Nuno Álvares Pereira não combateu Mouros, combateu a muito católica Castela. Não parece então que a razão da escolha tenha que ver quer com uma guerra religiosa, ou sequer com a guerra em si.


Se escolhermos ao acaso na rua, poucas pessoas conhecerão D. Nuno Álvares Pereira, qual a sua marca na história de Portugal, ou a aventura e o poderoso exemplo da sua vida. Para a quase totalidade dos Portugueses a história é algo de pouco interessante e remoto, voando num ápice de D. Afonso Henriques para o presente, através de umas vagas caravelas, com passagem pelo paradoxal Salazar.

Bento XVI vai canonizar um quase desconhecido, em vez dos populares Pastorinhos e isso tem razões sobre as quais é interessante especular.

Desde logo, Bento XVI inspira-se em Bento XV, existindo assim um nexo de continuidade com a acção do antecessor, mas isso não chegará para justificar a canonização
Bento XVI anda sempre muito preocupado em mostrar que é diferente de João Paulo II, mas isso só explica que os videntes de Fátima poderão ter alguma desvantagem, ou ter de esperar mais uns séculos para ser canonizados.
A Igreja é mais antiga do que todas as nações da Europa e nunca esquece a história. Nós podemos andar para aqui entretidos entre Bruxelas e o Hipermercado de Alfragide, mas para a Igreja ainda há caravelas por sair do Tejo que poderão ainda levar cruzes nos seus panos latinos e mesmo navegar contra alguns ventos que parecem soprar do futuro.
A Igreja, e o Papa em particular, conhecem o valor da nossa Língua e a importância estratégica que ela ainda tem, enquanto ponte da Europa com a América Latina e com África. Do ponto de vista da Igreja, esse valor estratégico perde-se quase por completo se Portugal se descristianizar e também se for descaracterizado na amálgama Europeia. Portugal nasceu da cristandade e afirmou-se no mar, e essa afirmação no mar e no mundo começou precisamente na tarde de 14 de Agosto de 1385 em Aljubarrota.
D. Nuno Álvares Pereira era um verdadeiro crente, com uma fé católica exuberante mesmo para os padrões da época. Na sua bandeira estava a Virgem Maria duas vezes representada, uma delas junto à cruz. Quando se tornou frade carmelita em 1423, quis chamar-se Nuno de Santa Maria.
Não era só em Deus que o Condestável acreditava totalmente, mas também nele próprio. Em miúdo, nos serões da Flor da Rosa, ouviu os contos da Demanda do Santo Graal e sonhou ser invencível como Galaaz. E foi. Quando professou quis ser o mais humilde dos humildes, demonstrando alguma falta de humildade. Foi então preciso vir D. Duarte pedir-lhe, em nome de D. João I, para que não pedisse mais esmola nas ruas de Lisboa…

Foi essa fé absolutamente extraordinária que venceu a poderosa Castela, a partir praticamente do nada. Foi também essa fé que permitiu a D. João I ser rei e depois ao Infante mandar as caravelas e a cruz de Cristo para o mar. O Papa sabe disto tudo apesar de nós não sabermos.

Eu acredito que a canonização do Condestável é uma proposta espiritual: reconheçam o poder da fé, tenham fé em Deus e em vós próprios porque a fé de um só homem tem capacidade para mudar o mundo, não tenham medo de ter grandes desígnios.

Não acredito que a causa do Beato Nuno seja mais defendida porque o Cardeal José Saraiva Martins é o Perfeito da Congregação da Causa dos Santos, acredito que o Papa tem mesmo um projecto para Portugal. Independentemente de esse projecto se realizar, sinto-me contente porque adivinho na atitude de Bento XVI o reconhecimento verdadeiro das virtudes de Portugal, através das claras virtudes de um dos nossos maiores.
Não sei se Bento XVI leu a “Mensagem” ou se foi Fernando Pessoa que a leu:

Nun’ Álvares Pereira

Que auréola te cerca?
É a espada que, volteando,
faz que o ar alto perca
seu azul negro e brando.

Mas que espada é que, erguida,
faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida,
que o Rei Artur te deu.

'Sperança consumada,
S. Portugal em ser,
ergue a luz da tua espada
para a estrada se ver!

Friday, October 19, 2007

O medíocre


Qualquer pessoa acha razoável que os funcionários públicos sejam avaliados. A maioria das pessoas até achará razoável que os funcionários possam e devam ter consequências negativas da sua má classificação.
Toda esta presunção de razoabilidade assentará no pressuposto de que a avaliação é justa. A avaliação será justa se for independente e admitir contestação. Independente significa que quem avalia não tenha a priori outra razão que não o valor do avaliado para atribuir uma dada classificação. Para poder ser contestada de forma útil deverão existir critérios definidos previamente, registos e testemunhos que fundamentem a avaliação.
Se o pressuposto da justiça da avaliação não se verificar as pessoas de bom senso têm boas razões para se preocupar: a útil e rigorosa avaliação transforma-se num obsceno instrumento de opressão, numa cascata de medo feita do exercício de pequenos poderes.

Nenhuma avaliação será justa se for previamente definida ou condicionada. E é muito fácil definir ou condicionar uma avaliação, acontece por exemplo quando existem quotas de classificações pré – definidas. Não mais que tantos por cento de bons, não menos que tanto por cento de medíocres, por exemplo. Se o avaliador for obrigado a quotas não será independente e só será justo nos improváveis casos em que a realidade se ajustar às quotas pré – definidas.
As quotas, em particular de classificações que determinam efeitos penalizantes, (como malhar com os ossos no quadro de excedentes por exemplo) seriam de uma estupidez galáctica, senão fossem de uma perversidade descarada: como pode alguém determinar à partida que existem 10% de medíocres (1) num serviço qualquer com 10 pessoas. Se estivermos a tratar de uma população poderá ser razoável estimar percentagens aproximadas de medíocres (há quem diga até que existe uma percentagem fixa de estúpidos na população…). Se estivermos a lidar com uma amostra que não represente a população o erro é grosseiro, porque obriga a classificar como medíocre alguém que poderá não o ser. Nesse grupo de 10 pessoas ninguém quererá ser o “ medíocre” e vai valer tudo. Se o indigitado medíocre quiser contestar a decisão quem será testemunha do contrário ? O serviço só tem dez pessoas e ninguém vai querer ir para o quadro de excedentes…

É preciso avaliar os funcionários, os bons são promovidos, os maus penalizados, isto é muito razoável. A perversão está nos pormenores a que geralmente ninguém liga, senão quando lhe batem à porta.

Já agora, é importante saber se às chefias também se aplicam quotas de classificação definidas à partida. E já agora, porque razão pessoas honradas, às vezes com anos de trabalho de direcção, se sujeitam a ser instrumentos de processos tão aviltantes?

Sunday, April 08, 2007

licenciatura

Por mais talento que o aluno tenha, todos os exames são momentos de teste da capacidade individual e o resultado de um processo de preparação. Os que fazem ou fizeram exames a sério, sabem como deve ser desconfortável passar um exame sem de facto o fazer.

Monday, March 26, 2007







APOCALYPSE NOW

A revista Cidadania e Defesa tem uma tiragem de apenas 1000 exemplares. É pena, porque este artigo de José António Silva e Sousa merece ser lido e reflectido.

Thursday, March 08, 2007







Salazar, Estaline, Drácula e o Bezerro - das - Duas - Cabeças

"Petição contra a concretização do Museu Salazar em Santa Comba Dão”





Excelentíssimo Senhor Presidente da Assembleia da República Os cidadãos abaixo assinados vêm, por intermédio desta petição, solicitar a V. Exª e à Assembleia da República que tenham em devida conta os seguintes factos.A Câmara Municipal de Santa Comba Dão, como é público e resulta de declarações do seu Presidente e de documentos assinados entre a Autarquia e um dos herdeiros de Oliveira Salazar, prepara-se para concretizar na casa onde viveu o falecido «Presidente do Conselho» da ditadura fascista, um Museu Salazar, ou do Estado Novo.Este projecto assume o objectivo de materializar um pólo de saudosismo fascista e de revivalismo do regime ilegal e opressor, derrubado pelo 25 de Abril de 1974.O Museu Salazar, se por hipótese absurda e inadmissível alguma vez se viesse a concretizar, não seria um factor de efectivo desenvolvimento do concelho, nem o pagamento de qualquer dívida de Santa Comba Dão a um «filho da Terra», porque esta nada lhe deve senão opressão e atraso económico e social, como aliás todo o país. E não seria um organismo «meramente científico», mas sim, objectivamente, uma organização centrada na propaganda do regime corporativo-fascista do «Estado Novo» e do ditador Salazar. A Constituição da República proclama no seu preâmbulo: «A 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos, derrubou o regime fascista. Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma transformação revolucionária e o início duma viragem histórica da sociedade portuguesa».A mesma Constituição, no seu Artigo 46.º, n.º 4, proíbe as «organizações que perfilhem a ideologia fascista» e a Lei 64/78 define-as como as que «... mostrem ... pretender difundir ou difundir efectivamente os valores, os princípios, os expoentes, as instituições e os métodos característicos dos regimes fascistas ..., nomeadamente ... o corporativismo ou a exaltação das personalidades mais representativas daqueles regimes ...», proibindo-lhes o exercício de toda e qualquer actividade.A esta luz, os cidadãos abaixo assinados, consideram que o Museu Salazar, ou do Estado Novo, não pode concretizar-se, porque constituiria uma afronta a todos os portugueses que se identificam com a democracia e o seu acto fundador do 25 de Abril e, por isso, solicitam à Assembleia da República – em defesa do Regime Democrático Constitucional e da Lei – que condene politicamente o processo em curso, que visa materializar o Museu Salazar, e tome as medidas que julgue adequadas para impedir esse intento."

***


O Dr António de Oliveira Salazar morreu há 37 anos, é história. O 25 de Abril foi há 33 anos é história. Os autores da petição entendem que um museu que reúne documentos históricos sobre uma personagem da história é um acto de propaganda das actividades e convicções dessa personagem, no presente. Assim os vários museus sobre o afamado Conde Drácula visarão divulgar e promover o Vampirismo. O museu José Estaline em Gori na Geórgia será um promotor do Estalinismo. O antigo museu do matadouro de Lisboa, célebre pelo bezerro das duas cabeças, seria um activo divulgador das anomalias e mutações genéticas, e por aí fora. Um memorial mantém a memória, para o bem e para o mal. Um memorial de Salazar lembra-o para quem o respeita e também para quem o odeia e mostra parte dele a quem não o conhece. Os desígnios do Dr Salazar continuam bem vivos, na pele de pessoas bem vivas e actuantes. Porque não se voltam estes anti – fascitas para o combate real e presente insistindo em viver o passado ? Será que é porque estão já mortos e feitos em pó como o Salazar está em Santa Comba? Combater a opressão contestando um museu é tão impotente, parolo e insano como achar que um museu ou memorial do Estaline vai levantar de novo o muro de Berlim ou achar que o museu do matadouro vai aumentar a proporção de bezerros anormais.

Monday, March 05, 2007




Do Público on-line de 2007.03.05:


O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, afirmou hoje que o governo antecipará o mais possível o calendário de conclusão das obras do aeroporto da Ota, explicando que já vai avançar a rede de transportes envolventes.
"A decisão de avançar para um novo aeroporto já devia ter sido tomada no passado. Foi muitas vezes anunciada e adiada. Agora estamos a avançar e o que queremos é, se possível, antecipar a conclusão do aeroporto da OTA", disse."Os concursos já foram iniciados para criar a rede de transportes envolventes ao novo aeroporto da Ota", sublinhou.Mário Lino falava à Lusa depois de uma reunião de cerca de 90 minutos com a ministra do Fomento espanhola, Magdalena Alvarez, em Madrid.


Cada vez são mais as vozes a recomendar prudência sobre o tema do aeroporto. Em qualquer organização bem gerida ou em qualquer família que funcione, sinais deste tipo são mais que suficientes para parar e pensar. Que poder move este projecto?

Saturday, February 24, 2007




Que grande decepção com o Prof Correia de Campos. Negociar com Câmaras Municipais?...Por causa de umas manifestações de província cair em contradição?

O Ministro apresentou um plano de reestruturação das urgências. Muita gente, eu incluído, acredita que existe racionalidade nesse plano e que a determinação do ministro resulta de estar convicto da sua razão, o que justifica até a atitude algo arrogante que é a sua marca.

Este assunto tem grande densidade política e a aparente convicção e determinação do ministro aparentemente não chega. O estilo "é assim porque eu quero e pronto", provocou uma reacção alérgica de propagação rápida e abriu brechas no dispositivo da maioria.

Aparecem então os seis protocolos para tentar compor a coisa. Em seis municípios afinal é possível ceder aos autarcas, apesar do plano estar optimizado e de ser essa optimização a anterior justificação moral e política para as atitudes mais inflexíveis. Afinal o plano das urgências é negociável.
Houve no entanto alguns que ficaram de fora,as razões de inclusão ou exclusão não são compreensíveis para o cidadão comum. Provavelmente os incluídos vão sentir-se vendidos e os excluídos vão sentir-se ainda mais isso mesmo.

Não vai ser possível fazer reformas suportadas na força bruta nem na saúde nem em sector nenhum, acreditando que o "quanto mais me bates mais gosto de ti" vai funcionar sempre. Esse método só é possível em ditadura. Em democracia é mesmo necessário dialogar, como aliás se nota bem neste caso.

Monday, February 19, 2007


8,2


A taxa de desemprego (medida pelo inquérito ao emprego do INE) aumentou 0.8 % do terceiro para o quarto trimestre www.ine.pt . Existe o efeito sazonal, mas esta taxa também é superior à taxa homóloga de 2005, embora em 2006 o crescimento económico tenha sido superior. Então o que aconteceu?

Aconteceu que a manta é curta. Para cobrir o deficit o estado aumentou a carga fiscal e a eficiência na cobrança dos impostos às PME. Os ajustamentos que as PME fizeram, mais o encerramento de outras (Opel na Azambuja por exemplo), justificam o aumento do desemprego.

Com o estado a despedir, o investimento e a economia a não crescerem o suficiente de novo em 2007, não parece provável que haja mais emprego nos próximos meses. Estas coisas digo eu que não percebo nada de economia, portanto não levem muito a sério.

Alguém terá com certeza este processo controlado e pilotado, a derrapagem será seguramente curta e o amanhã cantará com uma esperança renovada… bla, bla, bla, bla bla, bla.

Esta conversa dói como uma ferida aberta para aqueles cujo amanhã é apenas menos um dia de reservas, para quem cada euro gasto é um suplício porque não sabem quando e se vão poder ganhá-lo de novo. Essa é a cruel realidade atrás de cada décima milésima da taxa de desemprego. Isto sim é um verdadeiro flagelo, mas este não se discute nem se resolve com referendos.
Provavelmente não existe outra solução, mas a bebedeira dos números é mais grave que a bebedeira do álcool. Ao indicador do INE contrapõe-se agora o número "sombra" do Instituto do Emprego cuja divulgação baralha (ou serve para baralhar) muitas pessoas: os inscritos nos centros de emprego desceram 6.8% em relação ao período homólogo do ano passado (bravo!), de Dezembro para Janeiro subiram 1.1% (ohhh!) . Acontece que os ficheiros são sujeitos às normais actualizações e limpezas e dizem alguns especialistas que as comparações inter - anuais com 2005 são imperfeitas.
O número do Instituto de Emprego também é útil, mas usá-lo de facto como contraponto ao número do INE é apenas contra - informação.

Monday, February 12, 2007


O infiltrado


O Procurador – Geral, o Dr Macedo e o Director da Judiciária, reuniram-se para alinhar uma estratégia contra a fraude fiscal. No “press release” sobre a reunião, distribuído antes desta começar, informaram o País que dessa estratégia constaria a “infiltração” de agentes nas empresas.

É um método policial, sem dúvida. Mas com anúncio prévio?

Infiltrar um agente para combater a corrupção, dentro da lei e em casos com gravidade que o justifique, é uma operação policial legítima, secreta por natureza.

Anunciar nos órgãos de comunicação que vão infiltrar agentes é um acto de coacção psicológica, que confirma a inexorável tendência para o autoritarismo que está a ocorrer em Portugal.

Em muitas empresas a pergunta agora é: Quem é o infiltrado? Será o TOC admitido em Setembro, o administrador que chegou em Julho. Não … esse não tem cara disso…O Teixeira esse…esse é que eu acho que é o infiltrado! Eu sei, que o gajo tem um amigo nas Finanças, porque a Odete disse-me. A Odete, aquela que andou com um primo dele!

Esta administração de feitio pragmático e autoritário, parece no entanto ser do maior agrado do povo português. Também já vimos disto antes.

Tuesday, February 06, 2007


O Aeroporto e o Aborto


Para a maioria das pessoas que não estão em estado de hipnose, o aborto e o aeroporto têm muito a ver um com o outro. O aborto é uma discussão interminável e bastante inútil, que faz divergir a atenção dos cidadãos de temas importantes como o aeroporto.

O aborto era um problema real no tempo em que eu nasci (ufff…!). Nessa altura, com meios rudimentares de contracepção, abortavam as ricas e as pobres, as novas e as velhas, todas. Era proibido mas era trivial, era também perigoso porque era, de facto, clandestino. Hoje só se engravida sem querer por grande azar ou grande descontrolo, nada que se assemelhe a um problema generalizado ou a um “flagelo”. Mas nós lá vamos a votos decidir sobre este grande problema.

O aeroporto é um problema real hoje. Estamos pobres, e no Hospital de Santa Maria, no verão passado, havia enfermarias com pessoas de muita idade, muito doentes, sem ar condicionado, que ainda não foram arranjadas. Há pessoas de grande idoneidade que levantam dúvidas galácticas sobre a utilidade do aeroporto e apontam soluções muito mais baratas. Os cidadãos pagadores não foram informados com clareza, e em linguagem acessível, sobre as alternativas e sobre a racionalidade da escolha. Neste caso os nossos representantes decidem e pronto.

Talvez haja uma solução coerente com a pulsão abortífica de Portugal e, em simultâneo, com algum recato no uso dos nossos recursos: abortar o aeroporto. Há quem diga que não existem condições económicas para que ele nasça, há quem diga que o aeroporto tem uma grave deficiência, há quem diga que ele resulta de uma violação brutal, cujo autor só a mãe conhece, mas por grande vergonha e desorientação não diz a ninguém.

Por isso, estabelecimento de saúde legalizado com ele, e pimba: abortado! Isso é que era um bom uso para os 15 milhões de euros que o referendozinho vai custar.

Wednesday, January 31, 2007


2033


O Dr Bagão Félix mergulhou e emergiu com o Artº 2033º que estava submerso e coberto de areia nas profundezas do Código Civil.

O artigo diz respeito à definição de quem pode herdar :

Têm capacidade sucessória, além do Estado, todas as pessoas nascidas ou concebidas ao tempo da abertura da sucessão…”. Na prática, um embrião em desenvolvimento é um herdeiro potencial, que só espera o momento do seu nascimento para ter a personalidade jurídica que lhe permita herdar.

Suponhamos um exemplo hipotético: A Vanessa e o Ruben casam porque ela está grávida de 8 semanas, o casamento foi quinta – feira dia 11 de Setembro de 2007. Dia 10 entrou em vigor a nova lei do aborto, decorrente da vitória do Sim no referendo. Dia 14 o Ruben ganhou 180 milhões no euromilhões, apanha uma enorme piela , e morre no Sábado de uma infecção fulminante no fígado.

A Vanessa, que tem maus fígados e o 9º ano, faz as contas e diz: - Este raio deste feto vale 90 milhões! Acho que não tenho condições psicológicas para suportar isto, e muito menos condições financeiras para perder assim tanto dinheiro.

Vai à Alfredo da Costa, ao novo Serviço de IVG, criado pelo antigo ministro Correia de Campos e aborta o ex – herdeiro, sem mais justificações, complicações ou custos.

Saturday, January 27, 2007



Sempre Alerta!



Estamos em alerta amarelo por causa da vaga de frio! Se há vinte anos num Inverno com o frio do costume, alguém dissesse isto com ar sério, dir-se-ia que estaria provavelmente bêbado.

Os alertas constantes são a forma ingénua de nos fazerem crer que existe atenção e zelo pela nossa segurança. Mas depois lá vêm os naufrágios, os doentes de Odemira, as inundações e outras desgraças, mostrando que é mais fácil decretar alertas do que acorrer com eficácia aos sinistros.

Os alertas dão “ares” de eficácia e organização. É certo que são “ares” algo ridículos, porque alertar as pessoas para o facto de estarem 6º à noite em Lisboa ou 14º à tarde em Faro, é mesmo ridículo.

Entretanto, em plena “vaga de frio” ocorre um incêndio florestal em Mortágua. É estranho, até porque não consta que tenha sido accionado ao menos um alertazinho de uma cor qualquer, relativo aos fogos florestais (isto apesar da secura do último mês ter criado condições favoráveis ao incêndio). Na realidade, o que é anormal é não chover mais de trinta dias seguidos em Dezembro e Janeiro.

Mas deu uma bela notícia…O fogo devia vir surfando a “onda de calor" e veio afinal com a “vaga de frio”.

Para prevenir estas situações, sugiro que imitemos os escuteiros e nos coloquemos “Sempre Alerta!”. Devia ser decretado o alerta vermelho para tudo: frio; fogos; calor; ventos norte e oeste; apitos dourados; inundações; ventos sul e este; advogados manhosos; neve em Lisboa, e tudo o resto de que se lembrarem. E depois, se o nível da ameaça o permitir, poderemos esporadicamente entrar em “Estado de Não Alerta”.

Isto, até ao dia em que o Terramoto, o Atentado, a Epidemia ou a Guerra, venham por à prova se estamos realmente preparados. Queira Deus que este exame sinistro demore ou não venha nunca.

Tuesday, January 23, 2007


Os puritanos

Do editorial do Expresso on-line:

“Nesta mesma edição, o Expresso revela outro caso. Em certas escolas do país, numa iniciativa que teve a chancela dos ministérios da Saúde e da Educação, e no âmbito de um questionário extenso, perguntou-se a crianças (algumas com 11 anos) se elas alguma vez souberam se o pai (ou o “substituto”, como se escreve nesse inquérito) forçou a mãe a ter relações sexuais não consentidas”

Mais outro problema (a violência doméstica), cuja pseudo resolução permite o exercício de um pequeno poder e a exibição de uma gigantesca mediocridade e baixeza moral.

O cartaz incitando à denúncia que a mesma "estrutura de missão" espalhou pelas ruas do país fazia já esperar o pior. Com este inquérito nojento excederam-se, ou melhor, denunciaram-se…


Thursday, January 18, 2007

O Estado Laico



No Hospital Egas Moniz em Lisboa foram retirados os crucifixos de uma unidade de cuidados intensivos, em nome da lei e da laicidade do Estado. Em vão alguns médicos tentaram fazer ver que muitos doentes encontram ânimo na presença de um símbolo da sua fé, e que isso pode contribuir para a sua cura. Em vão alguns médicos informaram que as pessoas de todas as religiões, e não só os cristãos, podem ser acompanhados por símbolos religiosos naquele hospital, porque, para além dos aspectos morais e de princípio, é um erro técnico privar os doentes de algo que os fortalece. Em vão se relembrou o burocrata que os cristãos estão em larga maioria nas enfermarias do hospital e que, por esse motivo, os símbolos cristãos estão tradicionalmente mais presentes.
Tudo em vão, porque a autoridade do Estado prevaleceu e o funcionário subiu ao escadote e retirou os crucifixos.

O Director Geral dos Impostos mandou rezar uma missa na Sé de Lisboa pedindo a graça de Deus para os funcionários do fisco. À porta da missa estava toda a comunicação social. Os convites para a missa foram feitos pelo Director Geral, demonstrando que tem o poder suficiente para ignorar ostensivamente o princípio da laicidade do Estado e para ignorar também todos os funcionários que não são católicos apostólicos romanos.

A missa dos impostos e a censura dos crucifixos são sintomas de uma orientação clara de manipulação de símbolos. O Director Geral quis associar a imagem dos impostos ao poder Divino, chamar a atenção para a fonte do seu poder pessoal e, ao mesmo tempo, trazer o fisco para uma esfera mais humana de “pessoas que vão à missa”. O Administrador do Hospital quis chamar a atenção para o seu poder, retirando Cristo da parede, antes de passar aos despedimentos, alterações de horários e outros exercícios de poder mais terrenos.

Em ambos os casos, embora de forma contraditória, foi utilizada e manipulada a simbologia religiosa cristã, porque o Estado está a atravessar uma fase aguda da sua tendência crónica e multissecular de controlo da sociedade civil, religião incluída. O fenómeno não é novo e teve como virtuosos intérpretes personagens tão célebres como Sebastião José de Carvalho e Melo, Afonso Costa ou António de Oliveira Salazar.