Thursday, December 26, 2013

Carta ao Nosso Marechal António Teixeira Rebello




Meu Marechal

Não abdicando de me manter em sentido, peço que me permita o à vontade de me dirigir a si. Pensei se seria adequado fazê-lo, até porque existe algum precedente de conversas mal sucedidas com pessoas do passado, com pessoas que, enfim, já não estão vivas… Acontece que acho controversa a afirmação que o Nosso Marechal não esteja vivo.

É Natal, fim do ano de 2013, em que o nosso Colégio foi colocado sob uma grave ameaça. Muitos gostariam de saber o que pensa do tema das meninas, se são elas a ameaça…. Pessoalmente estou certo que considerará incontroverso que as meninas são bastante diferentes dos rapazes, em especial na adolescência. Estou certo que concordará que a ameaça não tem origem nessas meninas nem nos seus pais. A ameaça vem, como sempre, da mistura venenosa da ignorância com o egoísmo, os dois velhos inimigos da nossa cultura de disciplina e solidariedade.

Quando reflicto no percurso dos meus filhos, ou no meu próprio percurso e dos meus camaradas, imagino a sua satisfação quando começou a observar os resultados extraordinários da educação de rapazes em ambiente militar. Um sistema baseado na força do grupo , o grupo que é um motivo constante e bastante dos jovens rapazes, um grupo forte, com regras claras, controlando e orientando a agressividade para objectivos de formação. Imagino o orgulho que teve quando começou a ver os resultados práticos do sistema que adoptou. Um sistema simples e robusto completamente ajustado ao processo de desenvolvimento dos rapazes. Daqui de onde estamos, podemos já ver 210 anos de resultados.

O Nosso Marechal foi ministro num período de grande crise, vindo da Cumeeira de longe de tudo, por isso conhece intimamente a prática e as questões do poder. Concordará que o que está em causa não são as meninas. Essas crianças são apenas um meio, são a ferramenta utilizada para provocar uma mudança rápida, radical, muito visível e capaz de provocar danos irreversíveis. O que está verdadeiramente em causa é se podem ou não os militares ensinar segundo um modelo próprio e diferente. Se a educação militar for igual a todas as outras então os militares em nada são diferentes. Se em nada são diferentes é porque os militares não existem para além das suas operações, as quais por mais eficazes que sejam terão sempre muito menos utilidade que o seu contributo para a coesão do país. Quem não acredita em Portugal como Estado Soberano nunca verá qualquer utilidade nas Forças Armadas como instituição, muito menos nas suas emanações simbólicas. Que acontecerá se mesmo os militares não entenderem e cultivarem a sua função, abdicando de se considerarem, verdadeiramente, parte de uma instituição ?

Temos então o Colégio e o seu valor simbólico. Como disse o Eduardo Lourenço (92/1934) o Nosso Marechal formou um "mini-exército sobre qual o verdadeiro exército se desenvolveu , colocando-se radicalmente ao serviço de Portugal". Essa profundidade histórica e a coesão essencial do universo dos Antigos Alunos ocupa espaço e incomoda alguns. Perversamente, esta dimensão simbólica está a ser utilizada para fazer uma exibição de poder, desrespeitando a história e a natureza militar da instituição. Para este poder o Colégio  é completamente indiferente, desde que lá se passe exactamente aquilo que lhe é ordenado e que aceite beber o veneno que o fará morrer aos poucos, sem o incómodo de uma morte violenta.

Meu Marechal, esta é a maior ameaça que o seu legado desde sempre enfrentou. Com os franceses Portugal estava também assim fraco e a morrer. Mas o Rei estava no Brasil.  Além disso, quando vieram os franceses estava o Colégio a nascer, como disse o 92, para se colocar radicalmente ao serviço de Portugal. Não podemos agora ser menos radicais, no sentido de mantermos as nossas raízes patrióticas, defendendo-as de quem as quer cortar. Nada de essencial mudou desde essa altura e continuamos a precisar da alma que superou todas as crises, todos os franceses, todas as guerras, mesmo as mais lancinantes e fratricidas. Sem alma morrerá o Colégio, mas Portugal terá morrido antes.

 É Natal no mundo Meu Marechal, tempo de renascer. Nós Portugueses teremos de opor ao fratricídio que nos assombra, a fraternidade que é a essência da sua obra. É também tempo da família e por isso vou dar a ler esta carta aos meus irmãos. Estou certo que aprovará.

Carlos Rio Carvalho (307/71)
Natal de 2013




Friday, March 01, 2013

3 de Março de 2013





Sou com orgulho Antigo Aluno do Colégio Militar.

O meu Colégio completa este ano 210 anos, período em que formou pessoas tão diferentes como Eduardo Lourenço, António de Spínola, António Brotas, Alexandre Serpa Pinto, Jaime Cortesão ou Rão Kyao, para citar apenas meia dúzia contrastantes, entre centenas de Antigos Alunos que ajudaram a escrever a história de Portugal nestes dois séculos. Muitos caíram a combater pelo futuro de Portugal, o primeiro logo em 1810 contra os franceses na serra do Buçaco, na linha da frente a comandar os seus homens: o Alferes Luís das Neves Franco.

Sinto o meu Colégio hoje, como sinto o campo no interior de Portugal onde trabalho, algo que criámos e cuidamos durante séculos e que nos últimos anos descuramos com uma boçalidade de pequenos novos ricos. Ambos têm alma e constroem almas, ambos nos pertencem, ambos são desconhecidos por muitos, ambos valem muito mais do que parecem, ambos precisam de ser bem geridos para expressar o seu valor.

O Colégio Militar sofre as vicissitudes desta escuridão, onde parece que o nosso futuro depende apenas de “fusões” e “cortes” decididos por grosso. Neste momento agradeço ao Henrique Raposo a clareza com que disse ... a cultura e as instituições estão a montante do crescimento ou empobrecimento ,isto é, a economia é uma consequência de escolhas culturais e institucionais.". Ele disse, bem escrita, a essência da minha motivação: a luta pelo meu Colégio está na linha da frente do combate pelo futuro de Portugal. No dia 3 de Março, logo às 9 horas, estaremos no Parque Eduardo VII no coração de Lisboa a mostrar isso mesmo.

Tuesday, December 11, 2012

Uma questão de vida






No fim do fim o Vasco quis com ele os símbolos do Colégio Militar. Só ele e Deus sabem exactamente porquê, mas todos os que pertencem o percebem. Afirmou a sua identidade e disse como a sua alma ficou para sempre marcada. Terá querido abraçar os seus amigos, terá querido declarar a sua gratidão, terá sido movido pelo vento da sua própria juventude. Acho enfim que estava formado no geral, estava na camarata da quarta, estava no alto do Zimbório, estava a descer a Avenida a chegar a S.Domingos e por isso seguiu o Guião com a Barretina. E eles lá estiveram.
Estamos atrás do Guião e ao lado do Vasco, um Homem para quem o Colégio Militar foi uma questão de vida até na hora da morte.
 É esta alma, nada mais, que tem dado a Portugal o que o Colégio Militar já deu. E é isto que nos pertence defender.

Monday, July 30, 2012

O segundo último segundo

Na esgrima não há empates, se o jogo empata no fim do período normal é sorteda uma  “prioridade”. O esgrimista que ganha  a prioridade ganhará o jogo (diz-se “assalto” na esgrima ) caso nenhum dos dois adversários consiga marcar no período de um minuto.

Felizmente há canais na internet a transmitir as provas de esgrima dos Jogos Olímpicos. Hoje foi dia da prova de espada feminina e transmitiram as finais. Francamente acho muito mais interessante a esgrima da Britta Heidemann do que a de A Lam Shin. Logo no princípio um magnífico toque vibrado à mão intimidou a coreana, mas no final…no final o jogo estava empatado.

Britta Heidemann  foi campeã olímpica em Pequim e é 15ª do ranking mundial. A Lam é 12ª no ranking .Empatadas no presente mas não no passado. Unidas pela decisão de ganhar  e pelo trabalho e emoção de anos, focados no dia de hoje.

Jogaram quase um minuto e a alemã não conseguiu tocar, o cronómetro marcou mesmo um minuto e a A Lam julgou ter a vitória. Um desfasamento no cronómetro, as regras aplicáveis ao caso, tudo muito rápido, afinal não acabou. A árbitro manda jogar mais um segundo: - Em guarda! Prontos? Continuar. Um ataque rápido sobre uma adversária perplexa, sem tempo para reagir à situação, sem tempo para equilibrar o impacto de ver ser-lhe tirada a vitória com que tanto sonhara. Britta Heidemann toca e ganha o assalto no segundo último segundo.



Jamais esquecerei a expressão de A Lam Shin sentada na pista, recusando aceitar a decisão . O regulamento dirá que A Lam não tem razão, mas a verdade é que, no segundo último segundo, não houve igualdade entre as duas e isso roubou uma medalha (qual?) a A Lam e a alegria a milhares de pessoas que querem ver no desporto uma exaltação da verdade.

Sunday, June 24, 2012



O verão chegou Domingo à tarde, debaixo do sol onde não há de novo e tudo é novidade e entre os azuis do céu e do mar.

Saturday, April 07, 2012


Mais do que lágrimas

A morte de um jovem amigo relembrou-me que o sofrimento brutal aparece no segundo a seguir, sem explicação, sem apelo e sem justiça. Isto está sempre a acontecer aos outros e de repente toca-nos. A morte do Pedro tocou-me.

Acompanhar o enorme sofrimento fez-me desejar apagá-lo mas foi o próprio Vítor, senhor de si, que lembrou a todos que o amor é eterno, isto é, que a morte nunca triunfará e que o sofrimento encontra o seu sentido na eternidade. Se assim não fosse, que sentido teria a vida?
O meu amigo estava vergado ao peso insuportável da dor, que não me atrevo a imaginar ou descrever, mas a alma não estava vergada e ele disse: - O amor é eterno.

Mas mesmo assim, porque razão morre cedo um jovem luminoso e bom? O sentido total só se encontrará na eternidade, mas é verdade que esta morte brutal e injusta me aproximou do sentido da vida. Recordei então a bela metáfora de Santa Hildegarda: “A pluma voou não porque algo nela a fizesse voar, mas porque o ar a levou. Assim sou eu, uma pluma no sopro de Deus.”

Foi o sopro de Deus que eu senti nas palavras de alguém que eu pensava não ter mais que lágrimas para partilhar.

Saturday, December 24, 2011






O António não ri facilmente, mas acha graça com agilidade e ri com precisão.
Metade do ano o António tem gente por sua conta na agricultura. É ele que arrisca, é ele que paga, é ele que dirige. É ele que recebe, ou não. Na outra metade do ano faz tudo o que houver para fazer. O que lhe pedimos aparece bem feito e a horas.
Este António faz-me pensar como seria, se apenas metade dos Portugueses fossem como ele: ninguém se lembraria de por o P de Portugal nos porcos e não estaríamos aqui miseravelmente acuados.
O António não faz mais porque lá onde ele está, no interior do interior do Alentejo, não há mais para fazer. A terra do António tem um dialecto próprio e eu vejo nela muitas riquezas. Mas é pobre e precisa de ter um encontro com o resto do mundo para deixar de o ser.
Há uns dias expliquei ao António que é preciso saber muito para representar a terra que é redonda numa folha de papel plana, até lhe falei do sábio Pedro Nunes. Expliquei-lhe também como encontrar e comunicar as coordenadas que são a sua posição no mundo. Verificou-se porém um imprevisto, porque para achar com precisão as coordenadas no mapa é precisa uma regra de três simples.
Apesar dos seis anos escolaridade obrigatória (o António ainda não tem cinquenta anos), foi para conhecer as coordenadas que necessitou de aprender a regra. Estava lá outro António que a ensinou em poucos minutos.
De António para António perguntou se aquilo funcionava sempre. O António chamou à atenção para igualdade das razões e o António confirmou que tinha uma ferramenta universal: - No meu tempo não me ensinaram isto…
A proporção teve para o António uma importância desproporcionada, mas ele capturou essa nova oportunidade em poucos minutos. Concluo que devem existir para aí muitos Antónios mal aproveitados e que a nossa miséria também está ligada a isso.

Monday, October 24, 2011














Europa

O sólido banco perde a liquidez
Os líquidos valores a solidez
O povo das luzes a lucidez
Beberricando com o C.E.O do mal
Com bonomia, diz o Corso ao Cabo:
Está você contente com o que fez?
Não meu General,
acho até que vou tentar mais uma vez…

Monday, October 04, 2010








Faz algum sentido celebrar a república ?









Alguém pode afirmar que aquilo que de bom aconteceu no último século aconteceu por causa da mudança de regime ? Por exemplo, as universidades de Lisboa e do Porto (o quase único exemplo das realizações da república) não teriam sido criadas pela monarquia se o governo assim decidisse. Estão a ver o culto e artista Rei D.Carlos, a impedir a criação das universidades? Claro que não! Foram governos da monarquia que poucas décadas antes de 1910, promoveram um dos maiores surtos de investimento e desenvolvimento em Portugal


A verdade é que os nossos problemas não decorriam do Rei. No entanto, o Rei foi morto por uns terroristas que estavam convencidíssimos que aquelas balas iam resolver um problema a Portugal. Porquê? Porque esses assassinos representaram nesse acto o Portugal farto e envergonhado de si mesmo, que matou o seu símbolo.



A verdade é que república não trouxe, nos anos que se seguiram a 1910, nem liberdade, nem paz social, nem desenvolvimento. a republica trouxe muitos demagogos autoritários como Afonso Costa, o tal que achava que Lisboa comia "pão de mais"... o tal frenologista amador que media com uma craveira a cabeça dos padres jesuítas antes de embarcarem... o tal que comandava a "formiga branca", uma "milícia" que aterrorizou Lisboa e Portugal por mais de uma década.


É isto que comemoramos? Ou serão os quase cinquenta anos do Estado Novo?

O livro "A República Velha" de Vasco Pulido Valente, informa, no estilo conciso do autor sobre os primeiros sete anos da república. Vale a pena ler.


O que não vale a pena é celebrar a república, porque ela não trouxe nada de novo nem nada de bom.

Wednesday, December 23, 2009


QUEDA PROHIBIDO!

Queda prohibido llorar sin aprender,
levantarte un día sin saber que hacer,
tener miedo a tus recuerdos.
Queda prohibido no sonreír a los problemas,
no luchar por lo que quieres,
abandonarlo todo por miedo,
no convertir en realidad tus sueños.
Queda prohibido no demostrar tu amor,
hacer que alguien pague tus deudas y el mal humor.
Queda prohibido dejar a tus amigos,
no intentar comprender lo que vivieron juntos,
llamarles solo cuando los necesitas.
Queda prohibido no ser tú ante la gente,
fingir ante las personas que no te importan,
hacerte el gracioso con tal de que te recuerden,
olvidar a toda la gente que te quiere.
Queda prohibido no hacer las cosas por ti mismo,
tener miedo a la vida y a sus compromisos,
no vivir cada día como si fuera un ultimo suspiro.
Queda prohibido echar a alguien de menos sin
alegrarte, olvidar sus ojos, su risa,
todo porque sus caminos han dejado de abrazarse,
olvidar su pasado y pagarlo con su presente.
Queda prohibido no intentar comprender a las personas,
pensar que sus vidas valen mas que la tuya,
no saber que cada uno tiene su camino y su dicha.
Queda prohibido no crear tu historia,
no tener un momento para la gente que te necesita,
no comprender que lo que la vida te da, también te lo quita.
Queda prohibido no buscar tu felicidad,
no vivir tu vida con una actitud positiva,
no pensar en que podemos ser mejores,
no sentir que sin ti este mundo no sería igual.

Wednesday, December 02, 2009


Porque razão ouço sempre o Duque de Bragança


O Duque de Bragança não tem jeito para falar, não atrai nem empolga com a palavra, nem parece estar muito interessado em cultivar essa capacidade. É pena. Este ano a mensagem do 1º de Dezembro foi colocada na internet e vai chegar a mais pessoas. Ainda bem, porque é relevante e diferente das redundâncias dos actores do costume.
A mensagem fala da crise que vivemos, mas remete para o exemplo de Nuno Álvares Pereira. Alguém, que num contexto de crise gravíssima, “convicta e corajosamente” aplicou “talento, competência e generosidade” na defesa de Portugal. Na história do Condestável encontramos Convicção, Coragem, e Generosidade. A solução da crise está na alma, o Talento e a Competência não chegam.
A mensagem fala da adversidade, mas diz que a solidariedade essencial para a enfrentar está na família e não no estado. A família unida é uma célula de resistência. As famílias unidas resolverão muitos dos problemas sociais que enfrentamos. Ao estado cabe promover as famílias unidas e não o contrário. A solução da crise está na família.
Alma e família. A mensagem diz que a Europa a que pertencemos não tem alma e que a nossa família é a Língua Portuguesa. Quantos Portugueses acham exactamente isto? A política e a economia resolvem os problemas da falta de alma?
O mensageiro é tão importante como a mensagem. D. Duarte é um símbolo reconhecido em Portugal, de muitas maneiras diferentes, todas convergentes na representação da história. Por isso as leituras apressadas ou enviesadas acham que D. Duarte fala do passado. Mas não é verdade. Reencontrar a motivação profunda e energia para reerguer Portugal que está “doente e maltratado” é a nossa agenda mais actual.
O Duque de Bragança não é Rei e sabe que dificilmente o será. As suas palavras são totalmente desprovidas de ambição política, são portanto independentes. A mensagem fala do que nos une, a alma e a família, o futuro. O Duque de Bragança não é Rei, mas fala como tal. Não posso deixar de o ouvir.

Saturday, February 21, 2009


A espada que fez um halo no céu
(publicado originalmente em Novembro de 2007)

Foi D. Duarte quem primeiro fez lobby pela canonização de D. Nuno Álvares Pereira, em 1437, já lá vão 570 anos.

Desde a sua morte, no seu convento do Carmo em 1 de Novembro de 1431, foram atribuídos ao Condestável centenas de milagres, a terra do seu túmulo era retirada para operar “obras milagrosas”. Até ao terramoto, que em 1 de Novembro de 1755 destruiu o convento, o povo fazia romarias que tinham cantigas e tradições próprias de cada um dos lugares de origem, tendo até algumas dessas cantigas chegado aos nossos dias. Existem até vários “Catálogos dos Milagres” de Frei Nuno de Santa Maria.

No início de 1918, em plena Grande Guerra, com os soldados Portugueses a morrer aos milhares em França, o Papa Bento XV beatificou Nun’Álvares, o mais brilhante e invencível chefe militar de Portugal, tinham então passado 487 anos sobre a sua morte.

Próximo de 6 de Novembro de 2007, dia em que a Igreja comemora o Beato Nuno de Santa Maria, os bispos Portugueses encontraram-se com o Papa Bento XVI, que lhes disse como vai mal a Igreja do povo que se fez ao mar com a cruz de Cristo nas velas e que levou a Igreja onde ela nunca tinha chegado. Soube-se nessa altura que o Condestável vai ser canonizado.

Entre 1431 e os nossos dias muitos mártires Portugueses morreram pela sua fé, muitas palavras santas foram ditas em Português, milhões de almas foram convertidas, com orações ciciadas por vozes Beirãs ou com gerúndios evangélicos do Alentejo profundo. Três pastores da Serra d’ Aire falaram com a própria Mãe de Jesus. Mas o Papa Alemão vai canonizar o Condestável.

D. Nuno Álvares Pereira não combateu Mouros, combateu a muito católica Castela. Não parece então que a razão da escolha tenha que ver quer com uma guerra religiosa, ou sequer com a guerra em si.

Se escolhermos ao acaso na rua, poucas pessoas conhecerão D. Nuno Álvares Pereira, qual a sua marca na história de Portugal, ou a aventura e o poderoso exemplo da sua vida. Para a quase totalidade dos Portugueses a história é algo de pouco interessante e remoto, voando num ápice de D. Afonso Henriques para o presente, através de umas vagas caravelas, com passagem pelo paradoxal Salazar.

Bento XVI vai canonizar um quase desconhecido, em vez dos populares Pastorinhos e isso tem razões sobre as quais é interessante especular.

Desde logo, Bento XVI inspira-se em Bento XV, existindo assim um nexo de continuidade com a acção do antecessor, mas isso não chegará para justificar a canonização.

Bento XVI anda sempre muito preocupado em mostrar que é diferente de João Paulo II, mas isso só explica que os videntes de Fátima poderão ter alguma desvantagem, ou ter de esperar mais uns séculos para ser canonizados.

A Igreja é mais antiga do que todas as nações da Europa e nunca esquece a história. Nós podemos andar para aqui entretidos entre Bruxelas e o Hipermercado de Alfragide, mas para a Igreja ainda há caravelas por sair do Tejo que poderão ainda levar cruzes nos seus panos latinos e mesmo navegar contra alguns ventos que parecem soprar do futuro.


A Igreja, e o Papa em particular, conhecem o valor da nossa Língua e a importância estratégica que ela ainda tem, enquanto ponte da Europa com a América Latina e com África. Do ponto de vista da Igreja, esse valor estratégico perde-se quase por completo se Portugal se descristianizar e também se for descaracterizado na amálgama Europeia. Portugal nasceu da cristandade e afirmou-se no mar, e essa afirmação no mar e no mundo começou precisamente na tarde de 14 de Agosto de 1385 em Aljubarrota.

D. Nuno Álvares Pereira era um verdadeiro crente, com uma fé católica exuberante mesmo para os padrões da época. Na sua bandeira estava a Virgem Maria duas vezes representada, uma delas junto à cruz. Quando se tornou frade carmelita em 1423, quis chamar-se Nuno de Santa Maria.

Não era só em Deus que o Condestável acreditava totalmente, mas também nele próprio. Em miúdo, nos serões da Flor da Rosa, ouviu os contos da Demanda do Santo Graal e sonhou ser invencível como Galaaz. E foi. Quando professou quis ser o mais humilde dos humildes, demonstrando alguma falta de humildade. Foi então preciso vir D. Duarte pedir-lhe, em nome de D. João I, para que não pedisse mais esmola nas ruas de Lisboa…

Foi essa fé absolutamente extraordinária que venceu a poderosa Castela, a partir praticamente do nada. Foi também essa fé que permitiu a D. João I ser rei e depois ao Infante mandar as caravelas e a cruz de Cristo para o mar. O Papa sabe disto tudo apesar de nós não sabermos.

Eu acredito que a canonização do Condestável é uma proposta espiritual: reconheçam o poder da fé, tenham fé em Deus e em vós próprios porque a fé de um só homem tem capacidade para mudar o mundo, não tenham medo de ter grandes desígnios.

Não acredito que a causa do Beato Nuno seja mais defendida porque o Cardeal José Saraiva Martins é o Perfeito da Congregação da Causa dos Santos, acredito que o Papa tem mesmo um projecto para Portugal. Independentemente de esse projecto se realizar, sinto-me contente porque adivinho na atitude de Bento XVI o reconhecimento verdadeiro das virtudes de Portugal, através das claras virtudes de um dos nossos maiores.

Não sei se Bento XVI leu a “Mensagem” ou se foi Fernando Pessoa que a leu:


Nun’ Álvares Pereira


Que auréola te cerca?
É a espada que, volteando,
faz que o ar alto perca
seu azul negro e brando.

Mas que espada é que,erguida,
faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida,
que o Rei Artur te deu.

'Sperança consumada,
S. Portugal em ser,
ergue a luz da tua espada
para a estrada se ver!
****
Nun' Álvares será canonizado em 26 de Abril de 2009.
****
Optimists have a bright future diz Peter Lorange num artigo onde define as características de liderança necessárias para enfrentar o tempo difícil que vivemos: optimismo, rapidez na decisão e na acção, capacidade para fomentar a coesão e integridade moral. Atributos, todos eles, presentes de forma intensa em Nuno Álvares Pereira.

Friday, April 25, 2008


De rompante



Couraçada e muito armada,

transportando o passado prá Pontinha

A Chaimite deixou pela calçada

Um rasto encarnado de lama africana


De rompante pelo Carmo e p’la Trindade

Anfíbia e gloriosa

A Chaimite recolheu à vida ociosa

Da Lusitana antiga liberdade


Irrompe sempre em Abril na Avenida

A famosa e verde Chaimite

Indiferente ao regresso do passado,

porque agora está pintada em esferovite.

Sunday, January 20, 2008




Regras para o uso da Bandeira Nacional




É trivial constatar que os responsáveis pela aplicação da lei são, muitas vezes, os primeiros a incumpri-la, dos extintores da ASAE às escutas telefónicas, passando por miríades de falhas, negligentes ou deliberadas, pemitidas apenas a alguns.




No caso do uso da Bandeira Nacional estas falhas são da maior gravidade tendo em atenção a sua dimensão simbólica e as afirmações com significado político que estão associadas ao uso dos símbolos.




Convido os leitores a munirem-se do Decreto - lei 150/87 de 30 de Março e a compararem a lei com a práctica corrente.

Sunday, January 06, 2008

A bandeira da Europa saiu, a bandeira Portuguesa ainda não voltou.
Hoje,no comunicado do Ministro das Finanças no final do Conselho de Ministros, lá estava a bandeira da Europa colocada em lugar protocolarmente mais importante do que a Bandeira Nacional.
Não, isto já não é defeito... é mesmo feitio! Não é lapso (que seria aliás indesculpável), é mesmo uma afirmação política: primeiro Europeus, depois Portugueses.
Será que é mesmo isso que os Portugueses querem?

Friday, December 14, 2007


A bandeira nacional mudou?

Uma das razões pelas quais a constituição europeia não passou foi porque se propunha criar símbolos da União Europeia, diminuindo a importância dos símbolos nacionais.

Como os símbolos são importantes os holandeses e os franceses votaram e, com medo de danos maiores, iniciou-se o processo do “Tratado Reformador” que vamos ver onde termina, pode até terminar com uma nova rejeição…Dependerá de decisões democráticas ,em democracias que se prezam.

Entretanto em Portugal e em Lisboa, a grande bandeira nacional que desde Setembro de 2005 estava hasteada no alto do Parque Eduardo VII foi substituída por uma bandeira da Europa.

A bandeira é a maior que existe em Portugal e está hasteada num dos pontos mais altos de Lisboa, o que é desde logo ilegal porque contraria o nº 3 do Artº 8º do Decreto-Lei n.º 150/87, de 30 de Março que diz : “A Bandeira Nacional, quando desfraldada com outras bandeiras, não poderá ter dimensões inferiores às destas”.

A bandeira da Europa substituir a nossa bandeira é um abuso de poder: nós não votamos isto!

Pelo contrário, é do perfeito conhecimento do Presidente da Câmara de Lisboa e do Governo que a questão dos símbolos nacionais é muito sensível também em Portugal.

Se a ideia é a bandeira azul lá ficar, o Presidente da República deve acabar já com isto.
Se a ideia é estar ali temporariamente, o melhor é que acabe já e que seja explicado aos cidadãos quem autorizou esta afronta ilegal.

Friday, November 30, 2007


Excelentíssimo Senhor Presidente da Agência

Cumprindo o meu dever cívico de denuncia da ilegalidade e de alerta às autoridades competentes das, infelizmente frequentes situações irregulares, venho chamar a atenção da AZAR para um verdadeiro escândalo que se passa por todo o país e a que urge por cobro.

Trata-se do consumo de produtos de panificação e de vinho e seus derivados, sem condições higio – sanitárias adequadas, em estabelecimentos não autorizados e vendidos através de publicidade enganosa. A lista dos locais de consumo não autorizado é muito extensa, ocorrendo as irregularidades várias vezes por dia. Os produtos são armazenados em condições muito deficientes, sempre manuseados sem luvas, por vezes até na presença de cadáveres !!!

Acresce que a publicidade é enganosa sendo os produtos de panificação vendidos como carne (de proveniência desconhecida) e o vinho descrito e distribuído como sangue (????), atribuindo-se ao consumo estranhas propriedades de limpeza. Trata-se claramente de uma situação irregular, que merece uma intervenção firme, a exemplo das bem sucedidas operações sobre as bolas de Berlim nas praias, das castanhas no Outono e das ginjinhas no Rossio.

Os consumidores consomem em grupo e estão claramente conluiados com os distribuidores ilegais neste grave atentado à segurança alimentar.

Queira Senhor Presidente vestir o colete à prova de bala e o gorro à prova de vergonha e por cobro a este desmando.

Junto segue prova documental do desmando.

Tuesday, November 13, 2007





A espada que fez um halo no céu

Foi D. Duarte quem primeiro fez lobby pela canonização de D. Nuno Álvares Pereira, em 1437, já lá vão 570 anos.
Desde a sua morte, no seu convento do Carmo em 1 de Novembro de 1431, foram atribuídos ao Condestável centenas de milagres, a terra do seu túmulo era retirada para operar “obras milagrosas”. Até ao terramoto, que em 1 de Novembro de 1755 destruiu o convento, o povo fazia romarias que tinham cantigas e tradições próprias de cada um dos lugares de origem, tendo até algumas dessas cantigas chegado aos nossos dias. Existem até vários “Catálogos dos Milagres” de Frei Nuno de Santa Maria.
No início de 1918, em plena Grande Guerra, com os soldados Portugueses a morrer aos milhares em França, o Papa Bento XV beatificou Nun’Álvares, o mais brilhante e invencível chefe militar de Portugal, tinham então passado 487 anos sobre a sua morte.
Próximo de 6 de Novembro de 2007, dia em que a Igreja comemora o Beato Nuno de Santa Maria, os bispos Portugueses encontraram-se com o Papa Bento XVI, que lhes disse como vai mal a Igreja do povo que se fez ao mar com a cruz de Cristo nas velas e que levou a Igreja onde ela nunca tinha chegado. Soube-se nessa altura que o Condestável vai ser canonizado.
Entre 1431 e os nossos dias muitos mártires Portugueses morreram pela sua fé, muitas palavras santas foram ditas em Português, milhões de almas foram convertidas, com orações ciciadas por vozes Beirãs ou com gerúndios evangélicos do Alentejo profundo. Três pastores da Serra d’ Aire falaram com a própria Mãe de Jesus. Mas o Papa Alemão vai canonizar o Condestável.
D. Nuno Álvares Pereira não combateu Mouros, combateu a muito católica Castela. Não parece então que a razão da escolha tenha que ver quer com uma guerra religiosa, ou sequer com a guerra em si.


Se escolhermos ao acaso na rua, poucas pessoas conhecerão D. Nuno Álvares Pereira, qual a sua marca na história de Portugal, ou a aventura e o poderoso exemplo da sua vida. Para a quase totalidade dos Portugueses a história é algo de pouco interessante e remoto, voando num ápice de D. Afonso Henriques para o presente, através de umas vagas caravelas, com passagem pelo paradoxal Salazar.

Bento XVI vai canonizar um quase desconhecido, em vez dos populares Pastorinhos e isso tem razões sobre as quais é interessante especular.

Desde logo, Bento XVI inspira-se em Bento XV, existindo assim um nexo de continuidade com a acção do antecessor, mas isso não chegará para justificar a canonização
Bento XVI anda sempre muito preocupado em mostrar que é diferente de João Paulo II, mas isso só explica que os videntes de Fátima poderão ter alguma desvantagem, ou ter de esperar mais uns séculos para ser canonizados.
A Igreja é mais antiga do que todas as nações da Europa e nunca esquece a história. Nós podemos andar para aqui entretidos entre Bruxelas e o Hipermercado de Alfragide, mas para a Igreja ainda há caravelas por sair do Tejo que poderão ainda levar cruzes nos seus panos latinos e mesmo navegar contra alguns ventos que parecem soprar do futuro.
A Igreja, e o Papa em particular, conhecem o valor da nossa Língua e a importância estratégica que ela ainda tem, enquanto ponte da Europa com a América Latina e com África. Do ponto de vista da Igreja, esse valor estratégico perde-se quase por completo se Portugal se descristianizar e também se for descaracterizado na amálgama Europeia. Portugal nasceu da cristandade e afirmou-se no mar, e essa afirmação no mar e no mundo começou precisamente na tarde de 14 de Agosto de 1385 em Aljubarrota.
D. Nuno Álvares Pereira era um verdadeiro crente, com uma fé católica exuberante mesmo para os padrões da época. Na sua bandeira estava a Virgem Maria duas vezes representada, uma delas junto à cruz. Quando se tornou frade carmelita em 1423, quis chamar-se Nuno de Santa Maria.
Não era só em Deus que o Condestável acreditava totalmente, mas também nele próprio. Em miúdo, nos serões da Flor da Rosa, ouviu os contos da Demanda do Santo Graal e sonhou ser invencível como Galaaz. E foi. Quando professou quis ser o mais humilde dos humildes, demonstrando alguma falta de humildade. Foi então preciso vir D. Duarte pedir-lhe, em nome de D. João I, para que não pedisse mais esmola nas ruas de Lisboa…

Foi essa fé absolutamente extraordinária que venceu a poderosa Castela, a partir praticamente do nada. Foi também essa fé que permitiu a D. João I ser rei e depois ao Infante mandar as caravelas e a cruz de Cristo para o mar. O Papa sabe disto tudo apesar de nós não sabermos.

Eu acredito que a canonização do Condestável é uma proposta espiritual: reconheçam o poder da fé, tenham fé em Deus e em vós próprios porque a fé de um só homem tem capacidade para mudar o mundo, não tenham medo de ter grandes desígnios.

Não acredito que a causa do Beato Nuno seja mais defendida porque o Cardeal José Saraiva Martins é o Perfeito da Congregação da Causa dos Santos, acredito que o Papa tem mesmo um projecto para Portugal. Independentemente de esse projecto se realizar, sinto-me contente porque adivinho na atitude de Bento XVI o reconhecimento verdadeiro das virtudes de Portugal, através das claras virtudes de um dos nossos maiores.
Não sei se Bento XVI leu a “Mensagem” ou se foi Fernando Pessoa que a leu:

Nun’ Álvares Pereira

Que auréola te cerca?
É a espada que, volteando,
faz que o ar alto perca
seu azul negro e brando.

Mas que espada é que, erguida,
faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida,
que o Rei Artur te deu.

'Sperança consumada,
S. Portugal em ser,
ergue a luz da tua espada
para a estrada se ver!

Friday, October 19, 2007

O medíocre


Qualquer pessoa acha razoável que os funcionários públicos sejam avaliados. A maioria das pessoas até achará razoável que os funcionários possam e devam ter consequências negativas da sua má classificação.
Toda esta presunção de razoabilidade assentará no pressuposto de que a avaliação é justa. A avaliação será justa se for independente e admitir contestação. Independente significa que quem avalia não tenha a priori outra razão que não o valor do avaliado para atribuir uma dada classificação. Para poder ser contestada de forma útil deverão existir critérios definidos previamente, registos e testemunhos que fundamentem a avaliação.
Se o pressuposto da justiça da avaliação não se verificar as pessoas de bom senso têm boas razões para se preocupar: a útil e rigorosa avaliação transforma-se num obsceno instrumento de opressão, numa cascata de medo feita do exercício de pequenos poderes.

Nenhuma avaliação será justa se for previamente definida ou condicionada. E é muito fácil definir ou condicionar uma avaliação, acontece por exemplo quando existem quotas de classificações pré – definidas. Não mais que tantos por cento de bons, não menos que tanto por cento de medíocres, por exemplo. Se o avaliador for obrigado a quotas não será independente e só será justo nos improváveis casos em que a realidade se ajustar às quotas pré – definidas.
As quotas, em particular de classificações que determinam efeitos penalizantes, (como malhar com os ossos no quadro de excedentes por exemplo) seriam de uma estupidez galáctica, senão fossem de uma perversidade descarada: como pode alguém determinar à partida que existem 10% de medíocres (1) num serviço qualquer com 10 pessoas. Se estivermos a tratar de uma população poderá ser razoável estimar percentagens aproximadas de medíocres (há quem diga até que existe uma percentagem fixa de estúpidos na população…). Se estivermos a lidar com uma amostra que não represente a população o erro é grosseiro, porque obriga a classificar como medíocre alguém que poderá não o ser. Nesse grupo de 10 pessoas ninguém quererá ser o “ medíocre” e vai valer tudo. Se o indigitado medíocre quiser contestar a decisão quem será testemunha do contrário ? O serviço só tem dez pessoas e ninguém vai querer ir para o quadro de excedentes…

É preciso avaliar os funcionários, os bons são promovidos, os maus penalizados, isto é muito razoável. A perversão está nos pormenores a que geralmente ninguém liga, senão quando lhe batem à porta.

Já agora, é importante saber se às chefias também se aplicam quotas de classificação definidas à partida. E já agora, porque razão pessoas honradas, às vezes com anos de trabalho de direcção, se sujeitam a ser instrumentos de processos tão aviltantes?

Sunday, April 08, 2007

licenciatura

Por mais talento que o aluno tenha, todos os exames são momentos de teste da capacidade individual e o resultado de um processo de preparação. Os que fazem ou fizeram exames a sério, sabem como deve ser desconfortável passar um exame sem de facto o fazer.